A Direita Feliz!

Publicado por Whit3zin · Autoria não informada · · Atualizado: · Ensaios · direita feliz, whitepill, blackpill, moe, filosofia, cristianismo, juventude, rocky balboa, vitalismo, esperança

A Direita Feliz!

Um ensaio contra a blackpill, o derrotismo e o falso vitalismo. Whitepill, esperança cristã, Rocky Balboa e a alegria de viver.

a Direita Feliz

Contra a blackpill e o retardo da direita festiva.

Somos jovens sensíveis. Amamos a vida, a beleza, a tradição, a filosofia, a religião e, naturalmente, as garotas fofinhas de anime 2D.

A blackpill foi a maior merda que a direita desenvolveu nos últimos anos e fodeu a mente de centenas de jovens com o doomerismo e com a filosofia do "It's over": os comunistas já venceram, estamos numa sociedade decadente, "The West has fallen".

A questão é que nós nos recusamos a fazer do desespero uma forma de viver.

Nossa oposição fundamental é à blackpill: a crença imbecil de que tudo acabou, de que nossos esforços são inúteis e de que a felicidade nos foi negada pelas circunstâncias em que nascemos.

— Mas fraudaram as eleições!

— O sol nasceu.

— Mas os comunistas se enfiaram em todo canto! Vai ser um inferno tirar eles de lá!

— E? Demos graças a Deus, pois ainda podemos trabalhar para mudar isso.

— Crise demográfica na Europa! A raça branca europeia acabou!

— E? Então trabalhemos para reconstruir nossas comunidades e preservar aquilo que consideramos valioso.

Temos que whitepillar, abraçar a filosofia da esperança e da possibilidade de superação. Não se trata de acreditar ingenuamente que tudo dará certo, mas de reconhecer que, mesmo diante das maiores adversidades, ainda existem motivos para viver, lutar e construir.

A whitepill não consiste em fechar os olhos para a realidade e ficar copando que nem um imbecil, mas sim em encará-la sem se entregar ao desespero. Não dizemos que tudo está bem; dizemos que ainda podemos fazer alguma coisa — pois ora, não morremos ainda. Se a civilização está em ruínas, reconstruamo-la. Se a sociedade está corrompida, cultivemos a virtude. Se estamos diante de dificuldades, enfrentemo-las.

A Reconquista e a perseverança

Tomemos como exemplo a Reconquista da Península Ibérica.

Em 711, exércitos muçulmanos iniciaram a conquista de grande parte da Península Ibérica. Ao longo dos séculos seguintes, diferentes reinos cristãos surgiram, resistiram, expandiram seus territórios, guerrearam e negociaram com seus vizinhos.

A conclusão convencional desse longo processo ocorreu em 1492, com a tomada de Granada pelos Reis Católicos.

Foram séculos de história, gerações inteiras que nasceram e morreram sem conhecer o desfecho daquele processo.

Imagine um homem na Península Ibérica medieval dizendo que tudo estava perdido, que a derrota era inevitável e que não havia motivo para continuar trabalhando pelo futuro de sua comunidade.

Ora, a história ainda estava sendo escrita!

— Mas foram necessários séculos!

— E daí? Desde quando a passagem do tempo torna uma causa automaticamente perdida?

— Mas houve guerras! Muita gente morreu!

— Tivemos que matar gente? Sim, foda-se. E se necessario que facamos denovo.

Aqueles homens não conheciam o futuro. Nós tampouco conhecemos.

Por que, então, deveríamos nos comportar como se já soubéssemos que tudo está perdido?

Não temos a obrigação de resolver todos os problemas da civilização durante nossa juventude. Temos, entretanto, a oportunidade de contribuir para aquilo que será deixado às próximas gerações.

Talvez não vejamos todos os frutos do nosso trabalho.

E daí?

Não precisamos assistir ao fim da obra para reconhecer a importância de colocar seus primeiros tijolos.

O décimo quinto round

Em Rocky Balboa (2006), o sexto filme da franquia, Rocky diz ao seu filho:

"It's about how hard you can get hit and keep moving forward."

Rocky não afirma que a vida é um mar de rosas. Pelo contrário, reconhece que o mundo pode ser cruel, que sofreremos derrotas e que seremos derrubados inúmeras vezes. Entretanto, o importante é continuar avançando.

Essa filosofia já estava presente no primeiro filme, Rocky (1976).

Rocky Balboa era um boxeador qualquer, um azarão (underdog) da Filadélfia que recebeu a oportunidade de enfrentar Apollo Creed, campeão mundial dos pesos-pesados.

Ninguém esperava que vencesse. Nem mesmo Rocky tinha a vitória como sua principal ambição. Ele queria provar a si mesmo que não era apenas mais um sujeito sem valor, que poderia resistir até o fim contra o maior boxeador de sua época.

E então chegou o décimo quinto round.

Rocky estava exausto, machucado, com o rosto ensanguentado. Havia sofrido durante praticamente toda a luta. Mas continuava de pé.

Ele não precisava derrotar Apollo Creed. Precisava apenas chegar ao último gongo.

E chegou.

Quando a luta termina, Apollo é declarado vencedor por decisão dividida. Rocky perde oficialmente, mas conquista aquilo que procurava: a certeza de que era capaz de ir até o fim.

Naquele momento, pouco lhe importa o resultado anunciado pelos juízes. Ele procura Adrian, a mulher que ama, e os dois se abraçam no ringue.

Essa é uma das maiores lições que podemos retirar de Rocky.

Nem toda vitória exige derrotar nosso adversário. Às vezes, vencer significa simplesmente não ter desistido.

Ao assistir a Rocky, penso comigo mesmo: só tenho que aguentar até o décimo quinto round.

Nós, da Direita Feliz, também temos nosso décimo quinto round.

Talvez nossa época seja difícil. Talvez nossos projetos fracassem. Talvez enfrentemos derrotas políticas, dificuldades econômicas, rejeições amorosas e outras adversidades.

Mas por que haveríamos de desistir?

Só precisamos aguentar até o décimo quinto round. E, enquanto avançamos, podemos continuar sendo felizes.

Não precisamos passar os quinze rounds amargurados, odiando nossa existência e lamentando cada golpe recebido.

Podemos sofrer e ainda sorrir. Podemos cair e voltar a nos levantar. Podemos reconhecer nossas derrotas sem permitir que elas definam toda a nossa vida.

A blackpill diz: "It's over".

A whitepill responde: "We're not done yet".

A alegria de viver

Ora, desde quando precisamos viver em um mundo perfeito para sermos felizes?

O sol nasce todos os dias. Os pássaros continuam cantando. Há livros para ler, amigos para conhecer, famílias para formar, virtudes para cultivar e obras para construir.

E, evidentemente, garotas fofinhas 2D continuam existindo.

Não confundimos sensibilidade com fraqueza. Somos capazes de nos emocionar diante de uma bela história, de contemplar a natureza, de chorar, de amar e de reconhecer a beleza nas menores coisas.

Nossa alegria não exige que sejamos indiferentes ao sofrimento.

Tampouco somos partidários de um otimismo passivo. Se encontramos algo destruído, procuramos reconstruí-lo. Se encontramos uma injustiça, procuramos combatê-la. Se fracassamos, aprendemos e tentamos novamente.

Estamos irados diante do mal, mas felizes perante nossa consciência.

Contra o pseudovitalismo da Direita Festiva dos retardados do MBL

Há ainda outra estupidez atribuída a certos indivíduos da chamada Direita Festiva: o pseudovitalismo que reduz a juventude a festas e entretenimento.

São aqueles sujeitos que, ao encontrarem um jovem que prefere a tranquilidade de sua casa, a leitura, os jogos, a oração ou uma caminhada pelo bairro, começam imediatamente com seus sermões sobre aproveitar a juventude.

— MEU, VOCÊ PRECISA SAIR DE CASA!

— Perfeitamente. Vou dar uma volta no parque.

— NÃO, MEU! VOCÊ PRECISA IR PRA BALADA, BEBER, FUMAR, CONHECER MULHERES!

— Ora, mas por quê?

— AIN, NIETZSCHE! AIN, O BAP FALOU! VOCÊ PRECISA VIVER!

Ora, vão enfiar o BAP e o Nietzsche no cu e parem de me dizer como devo viver!

Parece que essa gurizada descobriu meia dúzia de referências filosóficas e resolveu transformar a própria concepção de vitalismo numa obrigação universal.

Invocam Nietzsche e o BAP, e o vitalismo, como se citar seus nomes fosse suficiente para demonstrar que a vida deve ser uma sucessão de festas, bebidas e experiências hedonistas.

Não tenho autoridade alguma para fazer uma crítica sistemática à filosofia de Nietzsche, muito menos para atribuir a ele todas as idiotices de seus autoproclamados discípulos.

Estou criticando esse pseudovitalismo de internet que utiliza nomes de filósofos como argumentos de autoridade para justificar uma visão extremamente limitada da existência.

Não me vendam hedonismo embrulhado em vitalismo.

Sobre a bebida, o vinho e o falso vitalismo

E antes que algum imbecil venha dizer que somos puritanos contrários à diversão, esclareçamos uma coisa: a tradição cristã não considera o uso moderado do vinho intrinsecamente pecaminoso, embora condene a embriaguez.

Eu aprecio a tradição de um bom uísque, assim como a de um bom vinho, e considero os charutos interessantíssimos, especialmente por sua história e elaboração.

Não tenho nada contra o interesse por essas coisas. Tenho, entretanto, muito contra a ideia de que alguém precise delas para aproveitar a própria existência. Tampouco ignoro os riscos do álcool e do tabaco.

Na minha humilde opinião, a bebida, para quem tem idade legal, deveria ser reservada para ocasiões especiais, não transformada numa obrigação semanal.

Há algo particularmente ridículo naquele sujeito que, ao chegar à sexta-feira, considera absolutamente necessário beber porque conseguiu sobreviver a mais uma semana de trabalho.

Ora, meu caro, você chegou à sexta-feira. Parabéns. E daí?

É realmente necessário transformar cada fim de expediente num pretexto para se embriagar?

Se você precisa beber toda sexta-feira simplesmente porque chegou à sexta-feira, talvez devesse reconsiderar sua ideia de felicidade.

Não há grande demonstração de vitalidade em ser incapaz de aproveitar o próprio tempo livre sem recorrer automaticamente à bebida, ou a sair para uma balada de quinta categoria onde não existe absolutamente nada que lhe interesse.

Aprecio a ideia de uma celebração especial, de uma boa conversa, de uma ocasião memorável. Mas não vejo motivo para transformar o álcool num requisito de toda reunião ou de todo descanso.

Quem deseja beber moderadamente numa ocasião apropriada que o faça, respeitando a lei e os riscos envolvidos. Quem prefere não beber absolutamente nada também pode aproveitar a noite perfeitamente.

Não se mede a vitalidade de um homem pela quantidade de álcool que ele consome.

A verdadeira questão é saber apreciar a vida, e não depender de uma substância para torná-la suportável.

A vida existe fora das baladas

Não somos contrários à diversão. Não somos contrários às festas. Não somos contrários a encontrar amigos e conhecer pessoas.

Somos contrários à ideia imbecil de que essas atividades, especialmente as baladas, sejam requisitos para uma juventude bem vivida.

Por acaso um homem que passa a tarde caminhando pelo bairro não está vivendo? Um rapaz que ajuda seu pai a construir alguma coisa não está aproveitando a juventude? Aquele que frequenta uma biblioteca, visita um museu ou contempla a natureza está desperdiçando sua existência?

É evidente que não.

E esse discurso pode produzir justamente o contrário daquilo que pretende alcançar.

Ao apresentar a vida social como sinônimo de baladas, bebedeiras e conquistas amorosas, corre-se o risco de convencer o jovem que não gosta dessas atividades de que ele simplesmente não gosta de socializar.

Ora, talvez ele gostasse de conhecer pessoas num clube de leitura, num grupo de caminhada, numa associação cultural ou numa comunidade religiosa.

Talvez o sujeito que passa os dias trancado no quarto não precise de uma balada.

Talvez precise apenas de um amigo que o convide para dar uma volta.

Não queremos criar uma geração de reclusos que confundem o mundo exterior com um ambiente hostil, mas tampouco queremos que a única alternativa oferecida ao isolamento seja uma vida de consumo e diversão compulsória.

Queremos jovens que participem da vida, conheçam suas comunidades, cultivem amizades e apreciem o mundo à sua volta.

A Direita Feliz não pretende substituir o quarto pela boate.

Pretende devolver o jovem ao mundo.

Nossa juventude, nossa esperança

Somos jovens e temos o direito de ser jovens: de sonhar, de nos apaixonar, de nos emocionar, de fazer planos e de apreciar aquilo que é belo.

Não queremos envelhecer prematuramente sob o peso de um pessimismo que nada constrói.

Quando nos dizem que nascemos na época errada, respondemos que esta é a época em que nos cabe viver.

Quando nos dizem que a civilização está em ruínas, perguntamos o que podemos reconstruir.

Quando nos dizem que estamos condenados à solidão, lembramos que nossa existência possui valor independentemente de nossa situação amorosa.

Quando nos dizem que seremos derrotados, lembramo-nos de Rocky Balboa, ensanguentado e exausto, ainda de pé no décimo quinto round.

E quando nos dizem que tudo acabou, fazemos uma pergunta muito simples:

O sol deixou de nascer?

Não?

Então ainda há motivos para agradecer, amar, trabalhar e viver.

Ainda não ouvimos o último gongo.

Somos a Direita Feliz. Somos jovens sensíveis, não derrotistas.

Ora et labora.

Deo gratias.

Imagem de capa — A Direita Feliz

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